
Amigos não podem ver lagrimas nos rostos de outros amigos, sem logo tentar intender os porque delas, principalmente quando são amigos tão próximos.
— Ei pequena porque choras? Não sabes que sua beleza se multiplica infinitas vezes quando tens um sorriso em seu rosto?
E com lagrimas escorrendo em seu rosto de maneira incontrolável, ela responde como se estivesse sendo torturada mais ainda, não somente por estar pensando sozinha no motivo de suas lágrimas, mas sim por ter que falar sobre aquilo com alguém.
— Não é nada demais, só perdi meus motivos para sorrir, até mesmo os que forçava-me a mostrar simplesmente já não conseguem se manter.
No momento em que ele se aproxima e abraça-a, defenitivamente seu mundo desaba, é como se a aproximação dele querendo saber o que ela escondia lá no fundo, reprimindo qualquer possibilidade de se livrar daquilo, mas que mal conseguia manter-se em pé com o peso que aquilo lhe trazia.
— Ei, não precisa ficar assim, sei oque você tem ai dentro do seu coraçãozinho, marcas e mais marcas, causadas por ele, o amor, não é?
E se sentindo parcialmente mais protegida, com a presença de alguém que ela aparentemente poderia confiar e sensação de alguém estar à compreendendo, ela passa a mão em seu rosto, tentando secar as lágrimas incessantes que insistiam em não parar de cair. E antes que ela pudesse responder sua pergunta, ele à interrompe…
— Já sofri muito assim uma vez, é uma dor que nem o maior dos estudiosos pode explicar, é um vazio que mesmo se comparado a universo ainda é imenso.
Ela balbusiou alguma coisa em concordância com o que ele falará, mas ela não estava se dirigindo basicamente à ele, era uma discussão que ela já havia travado com sua consciência. Retornando o pensamento a ele, ela resolveu, ao menos, tentar expor o que se passava ali dentro.
— E como fez para que esse vazio fosse preenchido? Porque é como se nada encaixasse-se no lugar, como se não fosse possível o preencher novamente..
E um leve sorriso no rosto dele surge ao escutar aquela pergunta.
— Eu nunca o preenchi, esse enorme vazio que me consumia cada dia mais, ele continua aqui dentro, mas sabe, sinto que esse vazio já não é tão grande, que ele foi se tornando cada vez menor a medida que o tempo passava; não posso dizer que ele já não existe mais, posso dizer apenas que ele está “cicatrizando” lentamente, e tenho esperanças de que algum dia eu possa voltar a viver sem ele presente em meus dias.
O sorriso dele fez com que ela tivesse vontade novamente de sorrir.
— Talvez seja por ai mesmo, só espero então que o meu vazio de alguma forma seja preenchido logo, a imensidão do nada é angustiante…
Ela olhou para ele, ainda meio abalada.
— Irá sim pequena, você se dará conta quando menos esperar.
Então ela afundou-se no abraço que ele à oferecia. E sem que os dois percebecem aquele laço que eles estavam fortalecendo no momento, ia preenchendo o ôco que havia ficado de um amor passageiro.
- (azul-banana) and (d-esencorajar)




